segunda-feira, 22 de agosto de 2016


A Estação Ferroviária e as madrugadas curitibanas.



Cheguei do colégio, coloquei o relógio para despertar às seis e meia e fui dormir. Morava com tio Juca, na Sete de Setembro a meia dúzia de quarteirões  da estação ferroviária. Dava bem para levantar, ir ao Café Expresso tomar um café com um pão com manteiga e pegar o trem. Gostava do café ali, pois a água chiada do chimarrão era gelada perto deles.

Mas aquela manhã estava diferente. O dia ainda não havia clareado e a avenida estava deserta. Os meus passos ecoavam na calçada. Uma manhã diferente. Cheguei na Estação Ferroviária e estava fechada. Que barbaridade! O que estaria acontecendo? O Café expresso também.

Havia um carro de praça do ponto. Era com os taxis eram chamados. Acordei o motorista, ele abriu o vidro com uma cara zangada, perguntei porque a Estação estava fechada Olha no relógio que você vai saber porquê! Eu olhei, mas o relógio está parado! Respondi. Parado uma ova! O meu aqui marca a mesma hora, olhando para o cebolão que tirou do bolso. Cebolão eram aqueles relógios de bolso.

Fui embora fazer tempo para pegar o trem. Eu havia ligado o despertador, mas esquecera de acertar o relógio. Resolvi esticar o corpo e esqueci-me de ligar o despertador.

Acordei assustado com tio Juca, preocupado,  perguntando se eu estava doente. Contei para ele e ele caiu na risada. Viajei à tarde no misto.

Tio Juca achava que eu era desligado. Ele e tia Angelita viajaram de férias. Foram passear no Rio de Janeiro. Uma viagem de um mês. Antes de viajar minha tia falou para avisar o leiteiro para suspender a entrega do leite até a volta.

Eram aquelas garrafas de vidro, com um litro de leite gordo. Nos finais de semana, quando eu ia a Morretes, na volta tinha três garrafas. E o leite começou a coalhar. Naquele mês tomei trinta litros do coalhada.

Havia um dia da semana, acho que nas segundas feiras, em que a tia Angelita ia à missa das almas na Igreja do Bom Jesus. A missa começava às da manhã a uns três quarteirões. Eu a acompanhava.

Um dia chegamos e encontramos o portão fechado. Ela tocou uma campainha e atendeu um vigilante. Informou que a Igreja estava fechada naquele dia para reforma e que a missa seria no colégio São José, do outro lado da praça.

O Colégio São José era um colégio para moças e tinha um pensionato para moças solteiras que iam a Curitiba para estudar ou para trabalhar. A atendente informou que deveríamos Ir por aquele “corredor até o final e subir a escada”. Lá fomos. Minha tia na frente e eu atrás. Ainda bem!

A atendente não informou que a capela ficava no penúltimo andar. No último andar era o dormitório das moças. Chegamos no momento em que elas estavam levantando. Imaginem as moças pudicas, há sessenta e dois anos, chegando acompanhada com um guapo rapaz.






segunda-feira, 15 de agosto de 2016